Como provar assédio moral no trabalho: diário, mensagens e prints que dão força ao seu caso
Anote cada episódio o quanto antes: data, hora, lugar, o que foi dito ou feito e quem viu. Guarde os e-mails e as mensagens originais em vez de apagar, tire prints em que apareça quem escreveu e quando, e mantenha cópias num lugar que nem a outra pessoa nem a empresa alcancem. Assédio moral se prova pela repetição, e um registro feito na hora, completo e em ordem, pesa muito mais do que lembranças ou meia dúzia de prints recortados.
Comece hoje um diário
Use um único documento ou uma nota e vá acrescentando cada episódio. Em cada um, registre:
- data, hora e onde aconteceu: na sala, por e-mail, numa ligação, num grupo de mensagens;
- o que foi dito ou feito, com as palavras exatas, se você lembrar;
- quem estava presente;
- como isso afetou você ou o seu trabalho: um atestado, uma mudança de função, uma reunião para a qual deixaram de chamar você;
- a quem você contou ou denunciou e o que responderam.
Escreva no mesmo dia e não edite o que já escreveu: se lembrar de mais alguma coisa, faça uma nova anotação. No app Notas dá para proteger uma nota com senha (selecione a nota e escolha Bloquear Nota), o que ajuda se outras pessoas usam o seu Mac.
Se depois de um dia difícil escrever pesar demais, fale. O Volna digita na nota o que você diz e reconhece a voz no próprio Mac, então o seu relato não vai para servidor nenhum. É grátis.
Guarde as mensagens e os e-mails
- Não apague nada, mesmo o que dói ler, e evite responder de cabeça quente: suas respostas também entram na história.
- E-mails: deixe na caixa e salve os mais importantes em PDF (no Mail, Arquivo › Exportar como PDF…).
- Áudios: salve os arquivos, porque alguns apps apagam com o tempo.
- Conversas: guarde a conversa inteira, não só as piores frases, para que o contexto apareça.
Prints que não deixam dúvida
Mostre o nome ou o número de quem escreveu, a data e a hora, e as mensagens em volta. Se for uma publicação na internet, inclua a barra de endereço. Não recorte nem rabisque o original; se precisar de uma versão marcada, guarde as duas.
Mantenha cópias fora do alcance
Não deixe as provas só no computador ou no e-mail da empresa: ela pode acessar esse material ou cortar o seu acesso a ele. Copie o diário, os PDFs e os prints para um HD externo ou uma conta pessoal a que só você tenha acesso, e copie apenas o que diz respeito a você, não documentos internos da empresa.
Para onde levar
Dentro da empresa, uma reclamação por escrito ao RH ou ao canal de denúncias, com cópia para você, já cria um registro. Empresas com CIPA têm de manter um procedimento para receber denúncias de assédio, por causa da Lei 14.457/2022. Fora dela, o sindicato, o Ministério Público do Trabalho ou um advogado trabalhista podem orientar você sobre o que o seu caso precisa. Leve o diário, as conversas exportadas e os originais, não só uma seleção.
Perguntas frequentes
O que serve de prova de assédio moral?
Um conjunto que se encaixa: o diário com datas, mensagens e e-mails completos, testemunhas, atestados e relatórios médicos, se houver, e as reclamações que você fez. Como assédio moral é uma conduta repetida, um padrão bem documentado convence mais do que um episódio isolado.
Posso gravar uma conversa com meu chefe?
No Brasil, o STF considera lícita a gravação feita por um dos participantes da conversa, mesmo sem o outro saber. Ainda assim, converse com um advogado antes de usar a gravação.
E se eu já apaguei as mensagens?
O Mensagens guarda as conversas apagadas por até 30 dias em Apagados Recentemente. Procure também em outros aparelhos, em backups ou em mensagens que você encaminhou para alguém.
Por quanto tempo devo guardar as provas?
Até o caso terminar de vez, e de preferência mais: na Justiça do Trabalho, o prazo para entrar com a ação vai até dois anos depois do fim do contrato. Mesmo depois de sair do emprego, não apague nada.